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Domingo, 20 Out 2019

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BS 8800 - EVOLUÇÃO DA REATIVIDADE PARA A PREVENÇÃO
Luis Filipe Aboim Tavares(*)

A norma para gestão de segurança e saúde ocupacional, a OHSAS 18001, tem apresentado uma reatividade ao mercado, um tanto quanto inesperada.

Antecedendo a esta norma, foi utilizada a BS 8800, que na realizada consistia apenas em um GUIA PARA SISTEMAS DE GESTÃO DE SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAIS, não sendo recomendada para certificação.

Outras metodologias de boas práticas de segurança e saúde ocupacional para reduzir o número de acidentes exercendo uma ação preventiva através da identificação dos acidentes sem perdas, baseado na pirâmide de incidência acidentes com lesão: sem lesão: incidentes (1:10:60).

A Serie para Avaliação de Segurança e Saúde Ocupacional OHSAS Especificação 18001:99, foi emitida com princípios para busca da Certificação, utilizando a estrutura da ISO 14001 e os princípios da BS 8800.

A proposta para elaboração de uma norma no âmbito da ISO foi proposta novamente em 2000 mas foi rejeitada.

Atualmente está em estudo pelo RvA (Holanda) a proposta para reconhecimento da OHSAS 18001 como norma certificável, já que todos os certificados emitidos até o momento são de conformidade, não possuindo ainda reconhecimento pela ISO e pelos organismos acreditadores dos diversos países, sendo no Brasil, âmbito do INMETRO.

A grande vantagem em se implementar um Sistema de Gestão para Segurança e Saúde Ocupacional tem sido a mudança de uma postura reativa, para uma postura preventiva.

O Brasil, em função de sua história trabalhista, possui uma das melhores legislações referentes a Segurança e Saúde Ocupacional. Entretanto a legislação ainda tem uma característica reativa (acidentes com perda ou sem perda, taxas de gravidade e de freqüência, etc.)

Para fazer face a estas variações de postura outros programas foram desenvolvidos e o mais em voga consta no programa ‘STOP’, no qual à menor evidência de fuga dos procedimentos de segurança, qualquer participante poderá ‘autuar’ o faltoso emitindo um boletim de interrupção da ação insegura. Mais atuante sobre o comportamento humano, mas ainda assim parte de uma condição indesejável. A ação insegura já aconteceu. O acidente poderia ter acontecido ou já aconteceu, e o sistema tem uma componente reativa que poderá se tornar ineficaz para reduzir os acidentes e suas conseqüências.

Sistemas que se baseiam em controle de falha irão produzir falhas.

Certa ocasião, tive a oportunidade de trabalhar com índice de acidentes ‘zero’. Foi um paradigma, não se concebia a inexistência do acidente. Nossas mentes estavam limitadas à constância da falha. Em função da obrigatoriedade da mudança, o comportamento de toda a equipe se alterou. Todas as condições possíveis e imagináveis de insegurança foram avaliadas, grupos de voluntários estabelecidos, instruções determinadas, intensa observância dos mesmas e vigilância não só por parte da supervisão mas principalmente pela equipe de trabalho. Era um compromisso de todos. Se um falhasse todos falhariam. Não era só o sentimento ‘coitado do José, caiu e se acidentou’. Era ‘hei José, cuidado com o piso’.

Estes princípios estão estabelecidos na norma de gestão OHSAS 18001.

Entretanto em vista da premência do mercado, a OHSAS tem sido implementada antes mesmo da normalização ao nível internacional.

As ferramentas chaves, entre outras são: identificação dos riscos (sejam eles físicos, químicos, biológicos, ergométricos etc), estabelecimento de objetivos de melhoria, identificação das necessidades de treinamento, verificação da eficácia através de auditorias e analise critica pela administração.

Um principio dos Sistemas de Gestão da Qualidade preconiza que o produto não conforme (defeito) tem 80% de suas causas no sistema e apenas 20% no funcionário. Este mesmo princípio aplicado para segurança tem índice maior. A não ser um funcionário tenha problemas de comportamento para provocar acidente consigo mesmo, é de responsabilidade da administração identificar os riscos e implementar ações preventivas que assegure que não ocorrer acidentes.

Alguns pontos chaves para se obter uma mudança de comportamento são: comunicação; entendimento; aceitação e finalmente mudança de postura.

Ferramentas preventivas tais como treinamento ou palestras de 15 minutos antes do turno tem demonstrado bons resultados.

Um sistema de gestão com melhoria contínua para segurança e saúde ocupacional parece ser a ferramenta para quebrar o paradigma de em vez de reagir, antecipar.

Luis Filipe é Auditor de Segurança e Saúde Ocupacional da Det Norske Veritas - DN